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Discurso do Dr. Claudio Martins Real proferido no dia 8 de setembro de 2011

26/09/2011

 Esta data representará para sempre um marco.

Este 8 de setembro registrará o dia em que a Assembleia Legislativa do estado de Mato Grosso do Sul se reúne em Sessão Solene e Comemorativa para homenagear nossa profissão: a Veterinária.

A Sociedade dos Médicos Veterinários de Mato Grosso do Sul - SOMVET, por sua diretoria, deliberou distinguir, entre tantos outros de seu quadro social, 12 colegas veterinários para representá-la neste momento solene em que nossa profissão está sendo homenageada.

São eles:

§  Dr. Argeu Carlos Lima

§  Prof. Dr. Haroldo Sampaio Ribeiro

§  Prof. Dr. Élio Purisco

§  Dr. José Carlos Mont´serrat Matosinho

§  Dra. Rosana Antunes Estrada

§  Dr. Eduardo Barbosa Strang

§  Dr. Laudo Wellington de Abreu

§  Dra. Julia Cristina Maksoud Brazuna

§  Dr. Cleber Oliveira Soares

§  Prof. Dr. André Luiz Soares da Fonseca

§  Dr. Franco Zanandreis

§  Prof. Dr. Claudio Martins Real

Antes de prosseguir, devo aos meus prezados colegas de homenagem um esclarecimento:

Esta incumbência de representá-los neste momento, nos foi imposta há apenas quatro dias, e o culpado é o vice-presidente da SOMVET: o colega João Vieira.

Ao questioná-lo do porque da escolha, ele num eufemismo generoso, não querendo me chamar de “o mais velho”, disse que era porque eu era o “mais experiente”...

Na realidade não me considero entre vós o “mais experiente”, mas sim o “mais velho”, posto que com 85 anos e 63 anos de profissão, já percorri mais de 25% dos 250 anos de existência de nossa profissão.

Meus senhores, minhas senhoras.

O Conselho da ONU estabeleceu o ano de 2011 como o “Ano Mundial da Medicina Veterinária”, porque faz 250 anos da oficialização da veterinária no mundo.

Marca, assim, a oficialização de nossa profissão: a Veterinária. Quando o advogado e cavaleiro francês Claude Bourgelat propôs, em 1761, e o Rei Luiz XV decretou a criação da primeira Escola de Medicina Veterinária no mundo em Lyon, na França.

Meus senhores,

Falamos de oficialização de nossa profissão e assim o dizemos porque, em realidade, nossa profissão nasceu com as civilizações primitivas e por muito tempo foi confundida com a medicina humana.

Elas se separaram bruscamente, no tempo de Sócrates e Platão, e a medicina veterinária foi então, esquecida e menosprezada.

Com Sócrates e Platão, o Ocidente conhece uma nova filosofia. Como disse Leclanché, o grande historiador da veterinária:

“É a alma que faz a dignidade do homem e o torna semelhante a Deus, ora a alma é recusada aos animais, nada os liga a humanidade, eles não poderiam se beneficiar sem cometer sacrilégio da arte divina que é a medicina”.

Para Hipócrates, o pai da medicina, e seus discípulos, só o homem é digno de sua medicina.

A medicina dos animais, a nossa Veterinária, sobreviveu, no entanto, à margem do mundo ocidental, preservada em toda sua importância no mundo árabe e oriental, enquanto no Ocidente foram os “albeitares” ou os “ferradores” que a praticavam, e viveu assim, sem doutrina e sem doutores baseada somente no empirismo.

 A redenção da Veterinária no Ocidente começou no século XVIII, com os “filósofos da natureza” que consagraram a redenção do animal com os estudos em Anatomia e Fisiologias Comparadas, sendo ao final deste mesmo século que surgiu a primeira Escola de Medicina Veterinária em Lyon, a qual se seguiu dois anos após Alfort, e em sequência, em todas as capitais européias.

Um século, no entanto, foi suficiente para que nossa profissão, liberada da tara original, conquistasse não sem lutas seu lugar na ciência e na sociedade.

Seria demasiado longo citar todas as grandes contribuições feitas por veterinários nos campus da fisiologia, microbiologia, imunologia etc...em benefício da humanidade.

Os veterinários formaram sempre fileira na vanguarda da defesa dos progressos da ciência.

Quando ao final do século XIX, o grande Luiz Pasteur era enxovalhado por seus pares na Academia de Ciência de Paris, foi Henry Bouley, um veterinário professor de Alfort, quem o defendeu e fez calar seus detratores.

Pasteur, que era farmacêutico, ao visitar após, a Escola Veterinária de Alfort, num gesto de gratidão escreveu no livro de honra:

“Se eu fosse mais jovem, se eu fosse mais válido, eu me tornaria aluno da Escola de Alfort”.

  

Minhas senhoras e meus senhores.

Permitam-me, neste instante, um registro do passado.

Anteriormente falamos que nossa profissão nasceu com as civilizações primitivas.

Não queremos, por isso, nos furtar de transcrever o que diz no Colégio de Leis do grande Rei Hammourabi da Babilônia, contemporâneo de Abraão, e que viveram em torno do ano 2000 antes de Cristo.

Os parágrafos 224 e 225 são pertinentes à atividade no Monai Sou que era o veterinário daquele tempo.

 

§  Parágrafo 224

“Se o médico dos bois ou dos asnos tratou de uma ferida grave um boi ou um asno e o curou, o dono do boi ou do asno dará ao médico por seu salário um sexto de ciclo de prata”. 

§  Parágrafo 225

“Se ele o tratou de um boi ou de um asno de uma ferida grave e causou a sua morte, ele pagará a quarta parte do valor do animal ao dono do boi ou do asno”.

 

Vejam colegas que nossa profissão já existia, era legislada e tinha normas éticas.

Verifica-se também que os animais naquela época, como hoje, desempenhavam um tão grande papel na vida dos povos que eles não os podiam privar dos benefícios dos conhecimentos dos Mounai Sou.

 

Meus senhores e minhas senhoras.

Voltemos aos nossos dias. O que vemos?

A Veterinária é hoje uma profissão reconhecida pela sociedade e uma prova disto é esta solenidade, este momento que vivemos.

O Brasil é hoje o grande fornecedor de carne bovina ao mundo e isto graças a nossa classe. Seja na prevenção de doenças, seja no planejamento e no emprego de conhecimentos genéticos nos rebanhos, garantindo mais produtividade; seja no desenvolvimento de tecnologias na área da reprodução onde a Medicina Humana se tornou caudatária das descobertas feitas por veterinários.

Aí estão para citar: a inseminação artificial, o congelamento de sêmen, o desenvolvimento de embriões “in vitro”, a transferência de Embriões e a fecundação “in vitro” são procedimentos que tantos benefícios têm trazido não só ao crescimento dos rebanhos, como também assegurado a felicidade a inúmeras famílias.

Senhores.

Um momento como este é também um momento para agradecimentos.

Em primeiro queremos agradecer à Deus, por nos ter proporcionado uma profissão, a veterinária, que permite a realização pessoal de todos que a classe dedicam.

Agradecemos ao deputado e colega Marcio Fernandes por ter a todos proporcionado este encontro de exaltação e reconhecimento público e oficial do valor de nossa profissão.

Agradecemos a atual diretoria da SOMVET, em nosso nome e no dos colegas homenageados, a honra e a distribuição a todos nós conferida.




























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